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           BIOLOGIA III             

Botânica

Paulo Sérgio Carulli

HISTÓRIA DA BOTÂNICA

O homem sempre utilizou as plantas como alimento, remédio, material de construção e no fabrico de todo tipo de ferramentas e armas. Os vegetais foram empregados também como fonte de substâncias tóxicas necessárias à guerra e à caça, de tinturas e pigmentos.

O homem primitivo achava-se estreitamente ligado ao meio natural e precisava conhecer os vegetais aproveitáveis, além dos lugares e épocas do ano em que cresciam. O interesse primitivo pela botânica caracterizou-se por seu aspecto estritamente prático, traço que ainda se verifica em povos cujo desenvolvimento se mantém em níveis rudimentares.

Vários milênios antes da era cristã, os chineses haviam elaborado verdadeiros tratados sobre a utilização de plantas medicinais na cura das mais diversas doenças. Também os filósofos gregos se interessaram pelo mundo vegetal, embora de forma especulativa e abstrata. Teofrasto foi o primeiro que, no século IV a.C., dedicou-se a descrever detalhadamente as plantas mais comuns em seu meio, tarefa que o levou a estudar várias centenas de espécies. No século I da era cristã, Dioscórides elaborou um tratado em que descreveu as propriedades medicinais de aproximadamente 600 plantas.

Sua obra teve ampla difusão e influência, pois foi utilizada como texto nas escolas e faculdades de medicina até o século XVIII.

Os romanos dedicaram-se mais às aplicações agrícolas e paisagísticas dos vegetais que ao estudo da botânica. Uma das obras mais significativas da era romana é a História natural de Plínio o Velho, composta de 37 livros com observações sobre horticultura e jardinagem. Como ocorreu com muitos outros campos do saber, durante a Idade Média o estudo da botânica permaneceu estagnado no mundo ocidental.

Os árabes, que mantiveram vivo o interesse pela pesquisa, introduziram na Europa, através da península ibérica,diferentes produtos originários do Oriente e difundiram o conhecimento de novas espécies vegetais, como o algodão. Utilizavam também plantas como a beladona e o cânhamo, das quais extraíam drogas e essências, com que preparavam ungüentos e substâncias diversas. No mundo árabe tiveram início os estudos metodológicos sobre a morfologia das plantas. No século XI, por exemplo, Al-Biruni analisou as partes que integram regularmente a flor (sépalas, pétalas, estames etc.) e lançou as bases do que mais tarde se conheceria como diagrama floral, isto é, a representação gráfica dos componentes florais.

No século XII sobressaíram os trabalhos de santo Alberto Magno, que, com observações minuciosas e precisas, estudou aspectos da fisiologia das plantas.

O Renascimento, que recuperou os valores da cultura clássica e do saber acumulado por gregos e romanos, provocou um movimento de aproximação da natureza e de afirmação da capacidade do homem para observar por si mesmo os fenômenos naturais. Anatomistas, físicos, astrônomos, inventores e artistas retomaram a exploração dos diversos campos do conhecimento. Idéias que durante séculos haviam permanecido cristalizadas, impedindo o progresso das ciências e das técnicas, foram substituídas por novos conceitos.

 A renovação do interesse científico chegou também à botânica: no século XV se formaram os primeiros herbários, onde as plantas, coletadas e conservadas de maneira adequada, eram classificadas, ordenadas e comparadas umas com as outras, segundo certos critérios.

Ao longo do século XVI foram criados na Europa os primeiros jardins botânicos. Neles eram cultivadas plantas exóticas, coletadas nas viagens de exploração que naquela época se faziam à América e à Ásia. Alguns botânicos se lançaram à descrição sistemática da flora autóctone de diferentes regiões da Europa e experimentaram sistemas de classificação mais rigorosos. Conrad Gesner estabeleceu um critério básico para classificar as plantas superiores, baseado nos órgãos florais, mais rigoroso que outros empregados então, como os detalhes morfológicos ou o aspecto das folhas e do talo. Andrea Cesalpino escreveu uma obra monumental, De plantis libri XVI (1583; Dezesseis livros sobre plantas), em que aplicava um sistema baseado nos caracteres da flor, do fruto e do embrião.

Estimulados pelo descobrimento de novas espécies americanas, como a batata, o tabaco e a batata-doce, alguns países europeus empreenderam expedições em busca de outras espécies economicamente aproveitáveis. Entre as viagens de exploração e pesquisa, salientaram-se as do religioso francês Charles Plumier ao Peru e a do naturalista espanhol Francisco Hernández ao México. Este último foi enviado por Filipe II e redigiu uma grande obra em 17 volumes na qual reuniu observações sobre as plantas mexicanas de aplicação terapêutica.

Século XVII. O botânico inglês John Ray descreveu milhares de espécies e distinguiu as dicotiledôneas -- plantas superiores cujo embrião apresenta dois cotilédones -- das monocotiledôneas, que têm um único cotilédone. Estudou também a estrutura das sementes e propôs uma nomenclatura para designar as diversas espécies. A diferenciação sexual das plantas foi demonstrada de forma definitiva pelo naturalista alemão Rudolph Jakob Camerarius, que atribuiu aos estames das flores a função de órgãos reprodutores masculinos na obra Epistola de sexu plantarum (1694; Carta sobre o sexo das plantas).

A utilização do microscópio permitiu o estudo dos tecidos vegetais. O britânico Robert Hooke descobriu as células vegetais ao examinar amostras de cortiça, e o italiano Marcello Malpighi estudou a anatomia vegetal. O pesquisador francês Pitton de Tournefort definiu um critério preciso de classificação botânica baseado na análise dos órgãos florais das plantas superiores, nos quais distinguiu os tipos de pétalas, sua disposição, simetria etc.

As tentativas de estabelecer uma classificação racional dos vegetais, levadas a cabo nos séculos precedentes, chegaram a um resultado positivo com o sueco Carl von Linné, conhecido como Lineu, que propôs uma nomenclatura pela qual se atribuíam a cada espécie dois nomes em latim: o primeiro correspondia ao gênero e o segundo à espécie. Lineu estabeleceu também uma hierarquia na qual apareciam agrupadas as plantas de características semelhantes. O mesmo princípio foi aplicado ao reino animal e, desde então, o sistema de Lineu é universalmente utilizado para designar e classificar todos os organismos vivos.

Ao longo do século XVIII, aprofundou-se o estudo da química e da fisiologia dos vegetais. O holandês Jan Ingenhousz descobriu que as plantas absorvem dióxido de carbono (CO2) no processo denominado fotossíntese, por meio do qual sintetizam substâncias orgânicas a partir de compostos inorgânicos. O britânico Stephen Hales analisou o mecanismo de circulação da seiva e mediu a transpiração das folhas e o crescimento das raízes.

As expedições realizadas por Louis-Antoine de Bougainville e Joseph de Jussieu à América do Sul e às ilhas do Pacífico, e por James Cook à Oceania contribuíram para enriquecer o catálogo de espécies florais conhecidas. Do mesmo modo, Michel Adanson passou cinco anos no Senegal pesquisando a flora africana e Alexander von Humboldt percorreu grande parte do continente americano estudando a distribuição das espécies autóctones.

No século XIX, muitos naturalistas levantaram a hipótese da evolução das espécies, em oposição à teoria da fixidez, segundo a qual os seres vivos permanecem invariáveis quanto à forma e à estrutura. Jean-Baptiste Lamarck postulou a transformação dos organismos ao longo do tempo e a transmissão por herança dos caracteres adquiridos. Outros naturalistas retomaram e propagaram essas idéias, mas foram Charles Darwin e Alfred Russell Wallace os que lançaram as bases de uma teoria sólida e documentada sobre a evolução, após colecionar exaustivamente provas fósseis, geográficas, anatômicas e fisiológicas. O mecanismo pelo qual tal evolução seria possível foi denominado seleção natural, que só permite a sobrevivência e reprodução dos indivíduos mais aptos.

Junto a esses importantes progressos destacaram-se também os estudos de alguns botânicos, como o francês Gaston Bonnier, sobre a influência do meio na flora e sobre a relação da altitude com a distribuição das espécies vegetais. O escocês Robert Brown deu uma notável contribuição ao estudo sistemático das espécies ao agrupar as plantas em duas grandes subdivisões: angiospermas (com flores providas de pétalas e sementes encerradas em frutos) e gimnospermas (com sementes a descoberto).

Outra personalidade relevante da botânica da época foi o suíço Augustin Pyrame de Candolle, autor de uma extensa obra em que classifica e descreve todos os grupos botânicos conhecidos em seu tempo. É considerado um dos fundadores da fitogeografia.

Entre os cientistas dedicados à pesquisa da célula vegetal destacaram-se Hugo von Mohl, que estudou o protoplasma ou massa celular fundamental; Matthias Jakob Schleiden, que descreveu a célula como unidade básica e universal de que se compõem os seres vivos, e Eduard Adolf Strasburger, que demonstrou o papel predominante do núcleo na divisão celular. Também nessa época se estabeleceram os fundamentos da genética, ciência que trata da transmissão dos caracteres biológicos entre gerações, graças aos trabalhos de Gregor Mendel. As leis por ele descobertas passaram despercebidas até que no início do século XX outros biólogos as trouxeram à luz. As alterações que em muitos casos se observam na herança das características biológicas das plantas, conhecidas como mutações, foram examinadas por Hugo de Vries.

O desenvolvimento das diversas disciplinas da botânica seguiu um caminho paralelo ao das demais ciências biológicas. O emprego de técnicas progressivamente mais apuradas permitiu o estudo aprofundado das estruturas vegetais, assim como dos processos químicos e físicos que nelas têm lugar. Exemplo disso foi o conhecimento das reações que se produzem na fotossíntese, fenômeno essencial para a vida. Os progressos da genética permitiram o cruzamento entre espécies de diferente dotação genética, com a obtenção de híbridos que apresentam melhor rendimento e maior resistência a condições adversas ou doenças.

Nas últimas décadas do século XX descobriram-se novas espécies e estabeleceram-se critérios de classificação mais rigorosos e precisos, baseados na análise das proteínas e em estudos embriológicos e genéticos

Podemos citar entre outros no Brasil o Professor Doutor Dreyfus, homem que praticamente fundou as bases para estudo na Universidade de São Paulo e cujo departamento de botânica  leva seu nome.

A botânica divide-se em três grandes ramos –

Botânica sistemática: ou taxonomia,tem como objeto a ordenação e classificação das plantas.

·        Morfologia vegetal : estuda a forma e estrutura das plantas e comporta várias subdivisões: a organografia, ou morfologia externa, que descreve os traços exteriores mais característicos das plantas; a morfologia comparada, que confronta formas e estruturas de diferentes espécies; a anatomia, que trata da organização dos tecidos dos órgãos vegetais; a histologia, que estuda a estrutura microscópica dos tecidos; a citologia, que estuda as células, elementos constituintes dos tecidos; a microscopia eletrônica, que examina as organizações celulares, invisíveis sem o auxílio de instrumentos; a embriologia, que procura, pelo estudo do zigoto, acompanhar as fases de desenvolvimento dos vegetais.

·        Fisiologia vegetal : dedica-se ao estudo dos processos vitais e funções da planta e seus órgãos, tecidos e células. Ocupa-se de temas como a nutrição vegetal, as relações entre a planta e o solo, o crescimento, a resposta aos fatores ambientais, a reprodução, a germinação e outros.

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OUTROS RAMOS

 

Além desses três grandes ramos, existem outros campos de estudo da botânica, como a fitopatologia, ou estudo das doenças que acometem os vegetais; a paleobotânica, que estuda os organismos fósseis e a flora existente na Terra em épocas remotas; a fitogeografia, que descreve e explica a distribuição das plantas segundo o clima, a altitude etc.; a sociologia vegetal ou fitossociologia, que trata das associações e comunidades que formam as diferentes espécies; e a ecologia, que se ocupa das relações das plantas entre si e com o ambiente.

O progresso dos estudos especiais de certos grupos de plantas levou à organização de sub-disciplinas específicas dentro da botânica, dentre as quais a briologia (estudo dos musgos), a pteridologia (estudo dos pteridófitos) e a agrostologia (estudo das gramíneas).

A botânica aplicada tem como objetivo desenvolver técnicas que podem ser empregadas na resolução de problemas práticos relacionados aos vegetais. Entre as disciplinas que compreende incluem-se a agronomia (cultivo de plantas em geral), a silvicultura (cultura de espécies florestais), a pomicultura (cultivo de frutos comestíveis), a floricultura, a horticultura, a virologia aplicada e a bacteriologia aplicada.

 

CLASSIFICAÇÃO

Os vegetais se agrupam em categorias organizadas denominadas taxa (no singular, táxon), segundo as semelhanças que apresentam nos aspectos morfológicos, químicos, genéticos etc. De maior para menor, as taxa são as seguintes: reino, divisão, classe, ordem, família, gênero e espécie. A espécie é o conjunto de indivíduos de idênticas características estruturais, que se cruzam e se reproduzem livremente entre si. As diferenças que se observam correspondem a aspectos não essenciais. Há ainda outras categorias de diferenciação intermediária, que se intercalam entre as anteriores quando assim se requer. Assim, distinguem-se a subdivisão, a superclasse, a subfamília, a subespécie, a variedade etc.

Segundo o sistema idealizado por Lineu e posteriormente aperfeiçoado por outros botânicos, o nome científico de uma espécie vegetal consta de dois termos latinos, o primeiro referente ao gênero e o segundo à espécie. Assim, o choupo-branco ou álamo denomina-se cientificamente Populus alba, e o pinheiro-do-paraná, Araucaria angustifolia.

Classificação dos grupos botânicos:

 Segundo a primeira grande divisão de Lineu, as plantas classificam-se em fanerógamas e criptógamas, segundo seus órgãos de frutificação sejam perceptíveis ou não. No primeiro grupo incluem-se todos os vegetais superiores e no segundo se enquadram as algas, os fungos, os musgos e as samambaias. Mais tarde, recorreu-se a designações de maior significação científica. O alemão Stephan Ladislaus Endlicher distinguiu, em seu sistema de classificação, os vegetais talófitos, formados de um tecido indiferenciado chamado talo, como as algas, fungos e liquens, dos cormófitos, plantas com cormo ou eixo diferenciado em raiz e vergôntea com folhas. Estas últimas foram chamadas por Alexander Carl Heinrich Braun de antófitas (plantas com flores), que se subdividiram tradicionalmente em gimnospermas e angiospermas.

Alguns sistemas modernos de classificação consideram as algas, fungos e liquens como integrantes de um reino à parte, o dos protistas, enquanto que os vegetais restantes se incluem no reino das metáfitas. Outros autores opinam que só os fungos devem ser excluídos do reino vegetal, já que não possuem parede celular de celulose e são incapazes de realizar a fotossíntese.

Algas. Recentes estudos sobre as algas demonstraram que em sua morfologia se registram diferenças essenciais, que justificam o estabelecimento de grupos de algas com categoria de divisão. Assim, foram estabelecidas dez divisões: cianófitas, clorófitas, euglenófitas, xantófitas, diatomáceas, crisófitas, pirrófitas, feófitas, rodófitas e criptófitas.

Fungos. Os fungos carecem de clorofila, pelo que não podem efetuar a fotossíntese. Agrupam-se em duas subdivisões: a dos mixomicetinos, que alguns autores consideram como divisão isolada pelas características dos organismos que compõem este grupo, entre elas a de possuir núcleos celulares no interior de massas denominadas plasmódios; e a dos eumixomicetinos, ou fungos verdadeiros.

Liquens. Os liquens são associações simbióticas de uma alga e um fungo. Tais relações biológicas produzem-se pelo mútuo benefício dos seres que se unem: a alga realiza a fotossíntese e o fungo torna possível a colonização do meio terrestre.

 

Musgos. A divisão das briófitas ou musgos compreende vegetais terrestres sem vasos condutores e carentes de verdadeiras raízes. Vivem em ambientes e zonas úmidas.

Psilotófitas, eqüissetos, licopódios e samambaias. Quatro divisões compõem o que no passado se denominaram criptógamas vasculares, plantas sem órgãos de frutificação aparentes, dotadas de vasos condutores: as psilotófitas; as eqüissetófitas ou eqüissetos, também chamadas rabos-de-cavalo; as licopodiófitas ou licopódios; e as polipodiófitas ou samambaias.

Plantas superiores. As antófitas (plantas com flores) ou plantas superiores agrupam-se em duas divisões: a das gimnospermas, entre as quais se acham as coníferas, com sementes aparentes e flores pouco vistosas, sem pétalas; e as angiospermas, cujas sementes estão encerradas em órgãos chamados ovários e que apresentam flores com pétalas

 

Divisão:

Briófitas

 

As briófitas são consideradas criptógamas, e conseqüentemente uma planta inferior, pelo fato principal de não possuírem estruturas complexas e mesmo sem sistema condutor de seivas.

As briófitas formam extensos tapetes verdes em lugares sombreados e úmidos. Com isso, impedem que a chuva penetre a fundo na terra, protegendo o solo contra a erosão e reduzindo, nas encostas, os riscos de deslizamentos.

Um dos filos ou divisões do reino vegetal, as briófitas são plantas que não excedem alguns centímetros de altura e se caracterizam sobretudo por não terem raízes, caules e folhas estruturadas como as das plantas mais evoluídas. Agrupam-se em duas classes: os musgos e as hepáticas. São basicamente plantas terrestres. Algumas espécies são de água doce, mas não se conhecem representantes marinhos. Há ainda briófitas epífitas, que se desenvolvem nos troncos e galhos de árvores.

A ausência de tecidos condutores de seiva explica o pequeno porte dessas plantas. Os caulóides, rizóides e filóides, que nelas substituem os caules, raízes e folhas normais, compõem-se exclusivamente de células arredondadas e, às vezes, alongadas. Os caulóides e filóides têm estrutura bem rudimentar. Os filamentos denominados rizóides prestam-se, como as raízes verdadeiras, à fixação e absorção de nutrientes. Todo o grupo é destituído de flores, frutos e sementes.

As briófitas dependem de água para a fecundação, uma vez que o gameta masculino (móvel) necessita de um meio líquido para se deslocar até o gameta feminino (imóvel). Portanto, embora a maioria dessas plantas seja terrestre, seus laços de dependência da água não foram totalmente rompidos.

A reprodução ocorre por alternância de gerações ou metagênese. Isso significa que o ciclo inclui uma fase sexuada e outra assexuada. A fase sexuada (de gametófito) é produtora de gametas e a assexuada (de esporófito), de esporos. A reprodução de um musgo dióico, ou seja, no qual os sexos estão separados em plantas distintas, serve para ilustrar o processo. Ao atingirem a maturidade sexual, os gametófitos (a planta permanente) produzem gametângios masculinos (anterídios) e femininos (arquegônios), em cujo interior se formam os gametas masculinos (anterozóides) e femininos (oosferas). Os anterozóides podem alcançar os oosferas por meio de gotas de orvalho ou pingos de chuva.

A união entre o anterozóide e a oosfera (fecundação), que ocorre no arquegônio, determina a formação do zigoto. Este se desenvolve e dá origem ao esporófito, produtor de esporos, que cresce sob o gametófito feminino e daí obtém seu alimento.

O esporófito é constituído de uma haste em cuja extremidade há uma cápsula que abriga os esporângios -- urnas diminutas onde os esporos se formam por meiose, para serem a seguir expelidos para o meio ambiente. Em condições adequadas, cada esporo germina e se transforma numa espécie de broto, o protonema, que por sua vez dará origem a um novo musgo (gametófito), fechando o ciclo.

 

Bromeliáceas ou Bromélias

 

As bromélias são geralmente típicas das zonas tropicais americanas e comuns nas matas brasileiras, as plantas da família das bromeliáceas são em geral epífitas -- vivem sobre galhos de árvores, que utilizam como suportes, sem delas nunca depender em seu sistema alimentar.

Elas não são parasitas, ou seja, não possuem raiz sugadora, não suja as seivas da planta. As bromeliáceas ou bromélias, monocotiledôneas, parecem extrair nutrientes do ar, da poeira e de eventuais bactérias. Com cerca de 1.700 espécies agrupadas em 46 gêneros, a família das bromeliáceas recebeu esse nome, dado por Lineu, em homenagem ao botânico sueco Olaf Bromel.

As bromeliáceas têm uma estrutura peculiar: suas folhas lineares, compridas e em geral estreitas projetam-se de um caule truncado e, armando-se em forma de rosácea, constituem no centro um perfeito cálice que armazena a água da chuva. Enriquecida por detritos orgânicos, essa água se torna um meio de cultura de microrganismos e também uma via auxiliar para a nutrição das bromélias.

Indistintamente chamadas de gravatás, numerosas bromeliáceas, de gêneros como Bromelia, Billbergia ou Aechmea, são estimadas como plantas ornamentais. Além de vegetarem sobre árvores, certas espécies crescem fixadas em pedras ou direto na terra. Outras são apenas terrestres, como o abacaxi, na verdade uma variedade do ananás silvestre (Ananas comosus).

Gimnospermas

Há dois grandes grupos de plantas portadoras de flores. No grupo das gimnospermas, que compreende os pinheiros, as sequóias e os ciprestes, as flores, rudimentares na estrutura, são unissexuadas e reúnem-se em inflorescências compactas denominadas cones ou estróbilos.

 Após a fecundação e conseqüente formação de sementes, os cones femininos aumentam de tamanho e são chamados de pinhas. As flores das gimnospermas podem ser unissexuadas monóicas, como no gênero Pinus, ou unissexuadas dióicas, como no gênero Araucária, mas sempre destituídas de atrativos: não têm perfume, nem coloração, nem néctar. A polinização, ou transferência de pólen de uma flor para outra, é realizada pelo vento e não por insetos ou outros agentes animais.

O pinheiro-silvestre ou pinheiro-bravo da Europa (Pinus sylvestris), dotado, quando adulto, de inflorescências masculinas e femininas, ilustra a importância das flores para a formação de sementes e a reprodução das espécies entre as gimnospermas. No cone masculino dessa árvore, inserem-se escamas que abrigam bolsas produtoras de pólen. O cone feminino contém escamas portadoras de óvulos. Os grãos de pólen, quando maduros, são libertados e levados pelo vento até os orifícios dos óvulos, onde germinam, emitem o chamado tubo polínico e produzem os verdadeiros gametas masculinos. Vários grãos de pólen podem germinar e fecundar diversas oosferas (gametas femininos) de um mesmo óvulo, com formação de vários zigotos e, portanto, de vários embriões. Apenas um zigoto (óvulo fecundado), no entanto, se desenvolve. No final do processo, o óvulo se transforma em semente. Uma semente íntegra abriga um embrião, que se origina do zigoto. A partir deste, quando a semente, em condições favoráveis, germina, forma-se nova planta.

 

 

Angiospermas

 

Rosas, lírios, cravos, margaridas, orquídeas, em suma, a quase totalidade das flores ornamentais mais comuns é produzida por plantas do grupo das angiospermas, o mais evoluído quanto à complexidade das formas e o mais abrangente quanto ao número de espécies. É entre as angiospermas que ocorre a típica estrutura de uma flor completa, constituída de uma haste ou cabo que a sustenta (pedúnculo) e em cuja extremidade (receptáculo) estão presas várias peças: as mais externas, estéreis, formam o perianto, e as mais internas, férteis, formam o aparelho reprodutor.

 

Perianto - O órgão de proteção e sedução da flor, o perianto, se constitui em geral de três círculos de folhas modificadas denominados, de fora para dentro, calículo, cálice e corola. As peças que constituem o cálice denominam-se sépalas e as que formam a corola, pétalas. O perianto pode estar ausente (flor aclamídea); ser único, se formado por um só círculo de peças, que, por convenção, se considera cálice (flor monoclamídea); duplo, quando coexistem cálice e corola (flor diclamídea); ou triplo, quando há os três círculos. O cálice pode ser dialissépalo, quando as sépalas são livres, ou gamossépalo, se soldadas entre si; verde, o que é a regra, ou petalóide, se as sépalas são coloridas. Quanto à consistência, pode ser foliáceo, paliáceo, córneo ou carnoso.

A corola, quanto à simetria, pode ser: radiada (actinomorfa), quando possui vários planos de simetria, com as pétalas semelhantes (papoula-de-seda); lateral (zigomorfa), quando possui um único plano de simetria, com uma pétala mediana ímpar e outras laterais, semelhantes duas a duas (feijão); bilateral (zigomorfa), se possui dois planos de simetria, com duas pétalas medianas, semelhantes, e outras, perpendiculares a elas, também semelhantes (begônia); ou irregular, quando não possui plano de simetria, sendo as pétalas desiguais (bananeirinha-de-jardim). A corola pode ser ainda dialipétala, quando as pétalas são livres, ou gamopétala, se soldadas entre si.

 

Androceu e gineceu - O aparelho reprodutor, responsável pela reprodução sexuada, é formado, de fora para dentro, pelo órgão masculino e pelo feminino. O órgão masculino (androceu) é formado de estames, cada um constituído de uma haste (filete), em cuja extremidade (conetivo) se insere a antera, formada de sacos polínicos (tecas), em cujo interior estão grãos de pólen, onde se formam os gametas masculinos. Os estames, quanto a seu número em relação ao de pétalas, podem ser: isostêmones, se em igual número; diplostêmones, se em dobro; ou polistêmones, quando em número maior que o dobro. Quanto à soldadura, podem ser livres (diastêmones) ou soldados entre si. Estes podem ser ligados pelos filetes (monadelfos), pelas anteras (sinantéreos), em dois grupos distintos (diadelfos) ou em vários grupos (poliadelfos). Estaminóide é o estame atrofiado, formado às vezes só pelo filete e outras vezes com antera estéril.

O órgão feminino (gineceu) é formado, nas gimnospermas, apenas de carpelos abertos, onde se fixam os óvulos, e, nas angiospermas, de carpelos fechados, cada um sobre si mesmo, ou vários soldados pelos bordos. A fusão dos carpelos resulta numa peça dotada de uma superfície viscosa receptora de pólen (estigma), continuada por um prolongamento filamentar (estilete), que acabam numa dilatação basal (ovário) onde estão os óvulos, responsáveis pela formação dos gametas femininos.

As características morfológicas e a disposição das peças florais conduziram à sistematização do conceito de diagrama floral em botânica. Trata-se de uma representação gráfica em que, por meio de uma projeção ortogonal sobre um plano, traça-se a chamada hélice fundamental. Situam-se ao longo desta as sépalas, as pétalas, os carpelos etc.

A flor é o elemento componente da planta que registra de maneira mais pródiga as marcas da evolução, embora só apareça em certas fases e tenha duração efêmera. Isso se deve à complexidade de sua organização, decorrente da fixação de detalhes que visam a proporcionar a cada espécie as melhores condições possíveis de sobrevivência e de reprodução. Além das recíprocas adaptações entre as flores e os agentes polinizadores, certos fatos, como o enriquecimento do perianto, são tomados como evidências de relevo na evolução floral. Conquanto certas formas simples de perianto possam ser interpretadas como atrofias ocorridas ao longo dos tempos, a maioria das flores parece ter evoluído de perianto nulo ou único para duplo e triplo, mais capazes de dar proteção ao aparelho reprodutor e com maiores atrativos para os polinizadores.

Na flor primitiva, as peças de cada círculo são em geral independentes e daí evoluem para a fusão. Primeiro as sépalas, pétalas, estames e carpelos se apresentam livres. Depois aparecem o cálice em tubo, a corola única, que guarda ainda o vestígio da soldadura, os estames ligados pelos filetes, formando tubos, e o gineceu de ovários com carpelos isolados passa a ter vários carpelos soldados. Outro aspecto da progressão para o fusionamento é a ligação de peças de um círculo com as de outro, como periantos duplos, terminados na parte inferior em tubo comum, e a existência de estames epissépalos, epipétalos ou ligados a ovários. O ovário, na flor primitiva, geralmente está localizado no mesmo nível ou acima da inserção das outras peças florais. Na sucessão evolutiva das espécies, desce cada vez mais e, muitas vezes, mergulha no interior do pedúnculo, o que garante maior proteção ao futuro fruto.

A linha geral de evolução da maneira como as flores se dispõem numa planta revela forte tendência à condensação. A evolução, iniciada com a flor isolada, passou para as flores agrupadas, com pedúnculos que partem do mesmo ponto, e culminou na inflorescência em capítulo, uma espécie de cacho, onde as flores, quase sempre, exercem diferentes funções. As pequenas flores mais externas, nesse caso, constituem o órgão de atração dos polinizadores, enquanto só as mais internas são verdadeiramente incumbidas da reprodução. As vantagens da maior proximidade entre as flores são patentes. A visita de um polinizador a um capítulo, de fato, rende muito mais que aproximações múltiplas de flores distanciadas entre si.

Para que, dentro da flor, a fecundação se processe, é preciso que os grãos de pólen (micrósporos) sejam transportados das anteras para o estigma. A polinização pode ser cruzada, quando o pólen é proveniente de outra flor, ou direta, quando ocorre entre as anteras e o estigma da mesma flor.

Se o pólen de uma planta for levado ao estigma de outra, de espécie diferente, em regra geral não há fecundação nem formação de semente. Nos casos em que, pelo contrário, for possível a fecundação, o resultado será a produção de sementes híbridas, de que também resultarão plantas híbridas. A produção de variedades híbridas, ou cultivares, que tira partido das possibilidades abertas pela polinização artificial das flores, tornou-se modernamente uma técnica indispensável na floricultura e horticultura, pois gera plantas mais produtivas, mais fortes ou, em se tratando de variedades ornamentais, mais exuberantes.

A polinização natural, quando realizada pelo vento, é dita anemófila e relaciona-se à posse de determinados caracteres morfológicos por parte da flor. As plantas que se polinizam pela ação do vento - gramíneas como o trigo, o milho e os cereais em geral - têm estames com filetes longos e tênues, capazes de oscilar espargindo o pólen, abundante e seco, ao mais leve sopro da brisa. Seus estigmas são alongados e plumosos, aptos a captar numerosos grãos de pólen entre as cerdas que lhes recobrem a superfície.

A polinização é dita entomófila, quando efetuada por insetos, e ornitófila, quando resulta da ação de pássaros. Em ambos os casos, as flores têm pólen pouco abundante, mas pegajoso, e periantos muito vistosos, graças aos quais exercem atração sobre os agentes polinizadores. Além disso, as flores têm glândulas odoríferas, produtoras de perfumes que também são motivo de atração, e nectários que segregam néctar, líquido adocicado de que os insetos se utilizam, juntamente com o pólen, para a fabricação de mel e como alimento. Flores de corola branca, ou de coloração bem clara, que se abrem à noite e possuem glândulas odoríferas, freqüentemente são polinizadas por morcegos. Diz-se, neste caso, que a polinização é quiropterófila, por ser praticada por esses mamíferos de hábitos noturnos.

As flores, por seu perfume e delicada beleza, já eram vendidas nos mercados da Grécia antiga e usadas como objeto de adorno e decoração. Foi a poetisa grega Safo quem chamou a rosa de "rainha das flores". Os patrícios romanos comiam salada de violetas e doce de rosas. Os árabes conquistaram a Pérsia (atual Irã), afamada por suas rosas, no século VII e, no século seguinte, ocuparam a Espanha. Daí o hábito de cultivar flores passou para o resto da Europa.

No século XVI tulipas turcas foram importadas por países da Europa e essas flores tornaram-se verdadeira mania. Até a primeira revolução industrial, porém, o comércio de flores tinha importância reduzida. A urbanização e a elevação do padrão de vida contribuíram para um rápido crescimento da floricultura. Os primeiros especialistas foram os jardineiros dos palácios reais, grandes propriedades e jardins públicos. Na atualidade, são técnicos formados pelas escolas agrícolas. Os sistemas de produção também foram modernizados. A partir das primeiras décadas do século XX, métodos científicos de pesquisa aplicaram-se à obtenção de flores para o cultivo e o comércio.

 

Flor das Angiospermas

 

A flor das Angiospermas comparada a das Gimnospermas apresenta-se com organização mais complexa e maior diferenciação morfológica, sendo por isso considerada mais evoluída. Consta das seguintes partes: pedúnculo ou eixo floral; verticilos florais com disposição cíclica. A disposição cíclica dos verticilos florais é um caráter que bem define a posição cíclica mais evoluídas das Angiospermas.

 

Pedúnculo ou eixo floral

 

O pedúnculo ou eixo floral é um ramo modificado, inserido no caule, sustentando em sua extremidade superior, denominada receptáculo floral de tamanho e forma variáveis, os verticilos florais. Encontram-se nas flores de pessegueiro, de fumo ou tabaco, de roseira, de lírio e outras flores. Tais flores se dizem pedunculadas. Quando falta o pedúnculo, a flor é séssil, como em algumas palmeiras, na pimenta-preta ou pimenta-do-reino (Piper nigrum).

De uma maneira geral, o pedúnculo possui textura e organização que se aproximam das do pecíolo das folhas.

O pedúnculo pode sofrer modificações apreciáveis, como na flor do cajueiro, o qual se desenvolve muito, tornando-se suculento e comestível, passando por ser o fruto (falso fruto ou pseudo fruto). No amendoim (Arachis hypogaea), o pedúnculo floral após a fecundação da flor, cresce fica mais forte e encurva-se para o solo, sob a qual o fruto se desenvolve.

O receptáculo é a extremidade do pedúnculo, mais ou menos dilatada onde se inserem os verticilos florais. Quando de forma cônica ou convexa recebe o nome de tálano ou toro, e quando escavado ou tubuloso se denomina hipanto.

 

Verticilos florais

 

Os verticilos florais ou órgãos florais, são folhas modificadas com disposição geralmente cíclica e inseridas na extremidade do pedúnculo floral (tálano, toro, hipanto ou receptáculo). Com função protetora temos o cálice e com função reprodutora o androceu e gineceu ou pistilo.

Uma flor é completa quando possui os 4 verticilos, que de fora para dentro são: cálice, corola, androceu e gineceu. O conjunto do cálice e da corola forma o perianto, o invólucro protetor do androceu e gineceu. O androceu constituem os órgãos sexuais.

Quanto ao perianto, a flor pode ser:

Aclamídea, aperiantada ou nua, quando não possui invólucros (cálice e corola), como na pimenta-do-reino, no tinhorão, no areeiro (Hura crepitans). As flores da Gramíneas e Ciperaceas em lugar do perianto possuem brácteas protetoras, denominadas glumas e glumelas.

Homoclamídea, quando os elementos do perianto são de natureza semelhante (forma, tamanho, cor) e recebem a denominação genérica de tépalos. O conjunto passa a chamar-se perigônio. Podemos distinguir duas possibilidades:

Um só verticilo- perigônio ou perianto monoclamídeo, encontrado nas flores de grevílea (Gravillea robusta), da primavera ou três-marias e do papo-de-peru ou mil-homens.

Dois verticilios, pseudo-perigônio, ocorrendo nas flores de lírio e em outras Liliáceas , Amarilidáceas, no amor-agarrado.

Heteroclamídea ou diperiantada ou diclamídea.

Perianto formado por peças de natureza distinta, geralmente em dois verticilos: cálice- verticilo externo; corola- verticilo interno.

Flores heteroclamídeas são as do cafeeiro, laranjeira, roseira, mimo-de-vênus e outras.

 

Cálice

 

O cálice é o primeiro verticilo floral, constituído de sépalas, que são folhas modificadas, sésseis, geralmente verdes.

O cálice pode ser: petalóide, quando as sépalas se assemelham as pétalas, como na palma-de-santa-rita ou gladíolo, no lírio, nas orquídeas; gamossépalo, quando as sépalas são unidas formando um cálice, encontrado no cravo, na trombeteira (Datura spp.), no ipê; dialissépalo, quando as sépalas são livres como na rosa, ipomea; díamero ou bissépalo com duas sépalas, como na papoula, nas Labiadas; trímero, com três sépalas, encontra-se nas Monocotiledôneas; tetrâmero como no brinco-de-princesa (Fuchsia sp.); pentâmero, com cinco sépalas, característico das Dicotiledôneas; polissépalo, com muitas sépalas, como nas Cactáceas, na niféia ou nenúfar (nymphaca sp.) vitória-régia regular quando constituído de sépalas do mesmos tamanho ou de dois tamanhos, mas que se alteram dando partes iguais ou simétricas por planos de simetrias que passam pelo eixo da flor; como no cravo, mimo-de-vênus, irregular, quando constituídos de sépalas de tamanhos diversos admitindo apenas um plano de simetria, como cordão-de-frade, (Leonotis nepetaefolia); na dedaleira; calcarado, que apresenta um apêndice em forma de espordão ou calcar, oco ou tubular, situado na região inferior do cálice, como na esporinha (delphinium sp.). flor-de-chagas; apendiculado, quando de suas sépalas partem apêndices como na violeta, beija-de-frade (Impatiens balsamina).

 

Corola.

 

A corola é o segundo verticilo floral, geralmente a parte mais vistosa da flor, constituída de pétalas com as mais variadas cores.

Como o cálice a corola pode ser também regular ou actinomorfa, se admitir vários planos de simetria e irregular ou zigomorfa se admitir apenas um. A corola pode ser gamopétala, quando as pétalas estão unidas e diapétalas, quando as pétalas são livres.

   

Tipos de corolas.

 

Infundibuliforme, quando possui a forma de um funil, como a flor do fumo; campanulada, quando possui a forma é de uma campânula ou de um sino na ipoméia; hipocrateriforme ou hipocrateromorfa, quando a forma é de uma taça, como no tomateiro; tubulosa quando tem a forma de um tubo alongado, com o mesmo diâmetro em toda a extensão, como as flores centrais (flósculos) das carítolas de girassol e de outras compostas; rotada ou rotácea, lembra aspecto de uma roda, com o limbo plano, circular, inteiro ou de lobos arredondados, com flor de manacá.

 

Semente

 

Após a fecundação, óvulo se transforma em semente, que se desenvolve, se diferencia e atinge a maturidade. As partes da semente são: integumento ou tegumento e amêndoa.

 

Integumento ou Tegumento

O integumento, tegumento ou casca, reveste a amêndoa e geralmente se divide em testa e tegmem, que procedem, respectivamente, da primana e da secundina do óvulo. Constituem os envoltórios da semente, sendo a testa o externo e o tegmem o interno. Nos frutos de pericarpo indeiscente, geralmente os tegumentos da semente são delgados e menos lignificados do que os das sementes dos frutos carnosos ou de pericarpo deiscente. As sementes estão ligadas a parede do fruto pelo funículo, e ao se destacarem, fica uma cicatriz na testa, denominada hilo, que corresponde ao hilo do óvulo. Na testa distingue-se, ainda, a micrópila, que também corresponde a do óvulo, identificada por pequeno orifício próximo ou não do hilo. A testa pode apresentar os seguintes aspectos: liso no feijão; rogoso no mamão; piloso no algodão; gelificado na romã; estriado no tabaco; pregueado na esporinha; reticulado no agrião (Nasturtium officinale); alveolado na papoula; colorido no olho-de-pombo (Abrus precatorius) e no feijão; manchado na mamona. Há ainda, sementes com expansões aliformes (sementes aladas ou samaróides) como as dos ipês, da flor-de-são-joão (Pyrostegia venusta) do jequitibá e da merindiba-rosa (Lafoensia glyptocarpa). A consistência da testa varia com os diferentes tipos de sementes, sendo as mais comuns as seguintes: lenhosa, carnosa e membranosa. Além dos aspectos da testa citados, as sementes podem ter apêndices e estruturas importantes, sendo as mais conhecidas as seguintes:

Arilo, excrescência ou revestimento formado geralmente pela parte superior do funículo, e envolve, total ou parcialmente, a semente. O arilo é carnoso e vermelho no melão-de-são-caetano e carnoso e alaranjado no maracujá; membranoso de cor azul, na árvore-do-viajante (Revenala madagascariensis); piloso, de cor alaranjada, noutra espécie de árvores-do-viajante (Strelitzia Nicolai). Na noz-moscada (Myristica fragans) o arilo é desenvolvido, ramificado, de cor roxa e possui substância odoríferas. Na Ginosperma Taxus bascata o arilo é uma expansão que parte da base da semente e a envolve quase completamente.

Arilódio ou falso Arilo, semelhante ao arilo, porém, proveniente dos tecidos próximos da micrópila e, como envoltório, reveste a semente. Encontra-se na semente da pimenta-do-sertão (Xylopia grandiflora) e no Evonymus europoeus.

Carúncula, excrescência mamilar, carnosa, em torno da micrópila e dela originária. Ocorre nas sementes de mamona e do pinhão-de-purga (Jatropha curcas).

A Segunda membrana do integumento, o tegmem, envolve a amêndoa como uma película delgada, e, em muitos casos, de difícil remoção. Pode faltar.

 

Amêndoa

 

A amêndoa é a parte mais importante da semente, constituída de albúmem ou endosperma, formando, por divisão, da célula resultante da fusão do núcleo espermático com dois núcleos polares, e do embrião, oriundo do zigoto. O albúmem é um tecido de reserva e, quando falta, a semente denomina-se exalbuminada, como no feijão, ervilha, orquídea e cacau. Nesse caso, o embrião ocupa todo o interior da semente e as reservas nutritivas localizam-se no cotilédone ou cotilédones, conforme se trata de planta Monocotiledônea, Dicotiledônea ou Gimnosperma. Quando a amêndoa tem albúmem, a semente é denominada de, semente albuminada. Ex. pinhão, algodão, mamão, café, milho, trigo, centeio, cevada e demais Gramíneas. O embrião ocupa posição variável no albúmem central na mamona e lateral no milho.

Nas Gimnospermas, o albúmem ou endospermas já se encontra formado antes de dar-se a fecundação do óvulo.

 

Albúmem

 

Segundo a natureza químicas das reservas e a consistência, o albúmem(ENDOSPERMA) pode classificar-se nas seguintes categorias:

 

Oleaginoso - quando contém substância oleaginosas e protídeos. Ex. mamona, coco-da-bahia, noz-européia, algodão e girassol.

 

Córneo - paredes das células muito espessas e endurecidas, devido ao acúmulo de reservas representadas pela celulose. Ex. café, tâmara, marfim-vegetal ou jarina (Phytelephas macrocarpa e P. microcarpa).

 

Gelatinoso - as reservas são constituídas pela celulose que impregna as paredes celulares, porém, com a absorção da água, elas amolecem e se gelificam, como em certas gramíneas.

 

Amiláceo - o amido é a principal reserva, havendo contudo, pequena porcentagem de albuminóides. No milho, no arroz, no trigo e no fruto de outras Gramíneas, a camada periférica do albúmem não tem amido, mas substância albuminóides, a conhecida camada aleurônica.

Em algumas sementes, permanece uma delgada camada do nucelo ao redor do albúmem, constituindo o perisperma, encontrado na pimenta-do-reino (Piper nigrum), nas ninféias e nas Singiberáceas. Nas sementes das Canáceas há somente perisperma, com o mesmo papel do albúmem.

 

Frutos Carnosos Indeiscentes

 

Baga, caracteriza-se por possuir epicarpo geralmente delgado, mesocarpo e endocarpo carnudos. Ás vezes, o endocarpo é muito tênue ou constituído por uma membrana fina. O número de sementes varia de uma a muitas. A baga pode ser: monocarpelar, uvaespim (Berbieris vulgaris); bicarpelar, uva, tomate da variedade Santa Cruz; tricarpelar, banana; pluricarpelar, tomates das variedades "Floradel", "Tropic" e "Caqui", goiaba e outros.

Como subtipos de baga temos:

Hesperídio, originário de ovário gamocarpelar súpero; epicarpo delgado e com glândulas oleíferas, mesocarpo esponjoso, mole, branco e endocarpo membranáceo, dividido em porções chamadas gomos, correspondentes aos carpelos; o endocarpo possui grande desenvolvimento de células papiliformes, cheias de suco, que envolvem as sementes. Como exemplos temos a laranja, o limão , a lima, a tangerina, a poncan e outros citros.

Balaute, balaueta ou balaustia, proveniente de ovário ínfero, coroado pelos dentes do cálice, de mesocarpo coriáceo, com sementes envolvidas por tegumentos suculentos e abrigadas em lóculos dispostos em vários níveis, como na romã (Punica granathum).

Pomo, fruto complexo, oriundo de ovário ínfero e gamocarpelar, em que a região central, coriácea é dividida em compartimentos de igual número ao de carpelos a qual corresponde ao fruto verdadeiro. A parte carnuda, bem desenvolvida, comestível, provem do receptáculo floral, ou úrnula, aderente ao ovário pentacarpelar. O pomo é encimado pelo cálice persistente, podendo conservar, quando ainda novo, os estames e os estiletes. Como exemplos temos a pêra, a maçã, o marmelo e a nespereira.

 

Pepônio, resulta, também de ovário ínfero, sincárpico tri ou pentacerpelar, possuindo endocarpo muito pouco consistente, as vezes liquefeito. As placentas bem desenvolvidas, flácidas, e com suas numerosas sementes enchem os lóculos. É o fruto das Cucurbitáceas, como por exemplos, o melão, a melancia, a abóbora e a moranga.

Drupa, de natureza semi-carnosa. Conquanto o mesocarpo seja em grande parte carnudo, sua porção mais interna, juntamente com o endocarpo, forma o caroço, de consistência óssea, dura ou lenhosa, possuindo, geralmente, uma semente. Origina-se de ovário súpero e monocarpelar. Entre os exemplos, temos a manga, o cajá-mirim, o pêssego, a azeitona, o abacate, a cereja (Prunus cerasus) e o oiti (Moquilea tomentosa).

A trima, é uma drupa modificada, com epicarpo e mesocarpo carnosos, os quais, na maturação do fruto, estão mais ou menos separados, formando uma casca deiscente, de maneira irregular, e o endocarpo bivalvo, com septos falsos, como na fruto bicarpelar da nogueira-européia (Juglans regia); na amêndoa; fruto da amendoeira (Prunus amygdalus), o epicarpo e mesocarpo são de natureza coriácea e no fruto tricarpelar do coqueiro-da-bahia (Cocos nucifera) são fibrosos.

Nuculânio ou nuculânia, drupa policárpica, com epicarpo e mesocarpo carnosos, sucosos ou então coriáceos e mesmo fibrosos, possuindo endocarpo endurecido e geralmente lenhoso, com uma ou mais sementes, como nos frutos de (Rhamus cathartica) e nos de sabugueiro (Sambucus sp.)

 

Frutos Carnosos Deiscentes

São poucos os frutos carnosos que possuem deiscência, figurando entre eles as cápsulas de melão-de-são-caetano, que se abrem por meio de três valvas e as cápsulas de beijo-de-frade, cuja deiscência se realiza, explosivamente, ao simples toque, em virtude de um mecanismo provocado por diferenças de elasticidade das faces interna e externa, lançando as sementes a distâncias apreciáveis.

Finalmente, trataremos dos frutos múltiplos, que procedem, como já descrevemos, de uma única flor, dialicarpelar, em que cada carpelo produz um fruto distinto.

Como exemplos, mencionamos os frutos da roseira, que são núculas encerradas no interior do receptáculo floral, côncavo e acrescido e que na maturidade se torna avermelhado. Ao conjunto dá-se o nome de cinorródon e forma um pseudofruto. No moranguinho e na framboesa o receptáculo floral é convexo, de forma cônica, em cuja superfície se dispõem helicoidalmente os carpelos, que se transformam em núculas, e o conjunto que é um pseudo fruto, denomina-se conocarpo, que na maturidade, se torna carnoso.

 

Infrutescências - frutos originários de inflorescências.

A infrutescências são também denominadas frutos sinatocarpados ou sinantocárpicos.

Nas inflorescências que se transforma em infrutescências, as flores se dispõem bem próximas umas das outras, isto é, concrescentes, resultando dai uma única unidade carpológica:

 

sorose, fruto do abacaxi (Ananas spp.), com eixo da inflorescência hipertrofiado, tornando-se carnosos e sucoso, e os frutos embutidos em sua superfície. A casca é constituída pelas sépalas persistentes, embricadas;

sicônio, fruto da figueira provém de uma inflorescência em forma de urna carnosa, com as flores no seu interior, originando cada uma um pequeno aquênio. Temos ainda, a jaca que resulta da fusão dos frutos drupáceos com o perianto e eixos florais, formando uma densa e enorme infrutescência e a amora, isto é, o fruto da amoreira (Morus spp.), pequena infrutescência em que sua numerosas partes se originam de flores femininas, cujo perianto, espessado, contém substâncias de reservas, notadamente açúcar e ácidos orgânicos.

 

Frutos Secos Deiscentes

 

Folículo, Unicarpelar e polispermo, isto é, com muitas sementes. E deiscência opera-se ao longo da sutura ventral da folha carpelar que lhe deu origem. Encontra-se grevílea, na esporinha e no acônito.

Plurifolículo ou Plífolículo, como seu nome indica, constitui-se de vários folículos, resultantes de um gineceu dialicarpelar ou apocárpico. Ocorre nas Ranunculáceas e outras. · Legumes ou vagem, Unicarpelar, cuja deiscência se faz por duas fendas longitudinais, uma na sutura ventral e outra na nervura dorsal da folha carpelar, resultando duas valvas. É o fruto característico das Leguminosas, como o feijoeiro, ervilha e mucuna e outras.

Contudo, a vagem pode sofrer modificações diversas, tornando-se indeiscentes. As vagens modificadas serão estudadas mais adiante.

Síliqua, Bi e gamocarpelar polispérmico, alongado. A deiscência se faz por quatro fendas, situadas próximas as placentas, geralmente de baixo para cima, separando-se o fruto em duas valvas laterais; entre elas permanece o falso septo ou replum com as sementes. Encontra-se nas Crucíferas, como na couve, no repolho, na mostarda, no gouveiro. Quando a síliqua é pouco mais longa que larga, aproximadamente três vezes a largura, denomina-se silícula.

Cápsula, Bi ou pluricarpelar, normalmente polispérmica, uni ou plurilocular.

A deiscência da cápsula pode dar-se de quatro maneiras:

Septicida a abertura é feita pela linha de união dos carpelos, como na azálea (Rhododendron indicum).

Loculicida a abertura se faz por um fenda longitudinal e no meio de cada carpelo, como no algodoeiro.

Pixidiária a abertura é feita por uma fenda transversal, separando-se o fruto em um opérculo e uma parte capsular. Tais frutos denominam-se pixídios e encontram-se entre as Lecitidáceas, como nas sapucáias e jequitibás (Cariniana sp.). Com o desprendimento do opérculo ou tampa, as sementes se libertam.

Poricida há formação de uma série de poros, na parte apical do fruto, como nas cápsulas de papoula-dos-jardins (Papaver rhoeas) e na boca-de-leão. Utrículo é uma cápsula simples, seca e de deiscência irregular.

 

Frutos Secos Indeiscêntes

São os frutos que não se abrem, de sorte que na dispersão, as sementes continuam encerradas no pericarpo, ou em parte do mesmo. Constam de um ou mais carpelos.

Aquênio - caracteriza-se por possuir uma semente que se liga a parede do fruto apenas pelo funículo, como na castanha do caju, sendo a parte suculenta mais desenvolvida proveniente de pedúnculo floral.

Diaquênio - reunião de dois aquênios derivados de um ovário ínfero bicarpelar, como na salsa, na cenoura, na erva-doce e outras Umbelíferas.

Tetraquênio - reunião de quatro aquênios, oriundos de um ovário bicarpelar, em que cada carpelo produziu dois aquênios como na Salvia berbenaca.

Poliaquênio - proveniente de um ovário pluricarpelar, em que cada carpelo produz um aquênio, como em Clematis sp.

Afora esses tipos, temos ainda as seguintes variações do aquênio:

Noz - aquênio com pericarpo lenhosos, comumente unilocular e unispermo, como na amêndoa (Corylus Avellana).

Núcula - quando a noz é muito pequena.

Cipsela - deriva de um ovário ínfero, com mais de um carpelo, podendo se apresentar coroado pelo cálice, em forma de escamas, cerdas, aristas ou pêlos, encontrado em muitas.

Compostas, tais como na serralha, alcachofra-de-são-joão (Cynara humilis).

Glande - aquênio pluricarpelar, com pericarpo coriáceo e base envolvida por uma peça acrescente, a cúpula, por exemplo, carvalho-europeu.

Sâmara - aquênio procedente de um ovário monocarpelar, provido de expansão membranosa, em forma de asa, como no araribá e na tipuana.

Samaróide - composto de 2 ou 3 aquênios alados, derivados de um ovário bicarpelar (Acer) e tricarpelar (Serjania).

Esquizocarpo ou Cremocarpo - aquênio oriundo de ovário bicarpelar, ínfero, o qual na maturidade se separa em dois, suspensos por um carpóforo, encontrado no caminho (Carum carvi).

 

 

Reprodução

Reprodução assexuada nas algas

São três os filos formados por algas consideradas plantas: clorofíceas ( algas verdes), rodofíceas (algas vermelhas) e feofíceas (algas pardas).

Dentre esses três grupos, somente em clorofíceas unicelulares é possível observar reprodução assexuada por bipartição. É o que ocorre, por exemplo, em Clhamydomonas.

A reprodução assexuada por esporulação ocorre nos três grupos.

 

Briófitas(assexuada)

 

Nas hepáticas pode ocorrer reprodução assexuada por meio de propágulos. Na superfície dorsal dessas plantas, existem estruturas especiais denominadas conceptáculos. Estes têm a forma de taça e em seu interior estão os propágulos, estruturas multicelulares com a forma de um oito, que possuem células com capacidade miristemática, capazes de produzir uma nova planta.

 

Pteridófitas(Assexuada)

 

As pteridófitas que possuem rizoma podem apresentar propagação vegetativa, pois o rizoma pode, em determinados pontos, desenvolver folhas e raízes, dando origem a novos indivíduos. Com o possível apodrecimento do rizoma em certos pontos, essas plantas podem tornar-se indivíduos independentes.

 

Fanerógamas(Assexuada)

 

Nas fanerógamas, a reprodução assexuada pode ocorrer na propagação vegetativa, pois os caules e as folhas, que são órgãos vegetativos, têm capacidade de propagação, dando origem a novos indivíduos.

Uma importante característica dos caules é a presença de botões vegetativos, ou gemas. Quando as gemas entram em contato com o solo, pode, enraizar e formar uma nova planta completa. É o que ocorre, por exemplo, com os caules prostrados, denominados estolhos: desenvolvendo-se sobre o solo, em contato com a superfície, suas gemas enraízam e formam novas plantas que podem serem separadas da planta-mãe. É o caso do morangueiro e da grama comum de jardim.

 Folhas também podem dar origem a novos indivíduos, como se pode observar em fortuna e begônia.

 

Importância econômica

 

Os mecanismos descritos ocorrem espontaneamente na natureza, mas podem também ser provocados pelo homem, principalmente para cultivo econômico de certas plantas.

A cana-de-açúcar, por exemplo, é plantada simplesmente enterrando-se os seus gomos, que possuindo gemas, enraízam e geram novas plantas.

Através da propagação vegetativa, caracteres vantajosos podem ser mantidos inalterados nos indivíduos que se formam.

O homem desenvolveu outros mecanismos de propagação vegetativa, como a estáquia, a merguilha, a alporquia e a enxertia.

 A enxertia é o processo mais utilizado no cultivo de plantas de interesse econômico e consiste no transplante de uma muda, chamada cavaleiro ou enxerto, em outra planta, denominada cavalo ou porta-enxerto, provida de raízes. O cavalo deve ser de planta da mesma espécie do cavalo ou de espécies próximas.

Na enxertia, é importante que o cavaleiro tenha mais de uma gema e que o câmbio (tecido do meristemático) do cavalo entre em contato com o câmbio do cavaleiro. Além disso,devem-se retirar as gemas do cavalo a fim de evitar que a seiva seja conduzida para elas e não para as gemas do cavaleiro. Alguns dos diferentes tipos de enxertia estão esquematizados a seguir.

As duas principais vantagens de enxertia são:

a muda ( cavaleiro ) já encontra um cavalo munido de raízes e, com isso, o desenvolvimento é mais rápido;

  podem-se selecionar plantas com raízes resistentes a certas doenças, e utilizá-las como cavalo. Com isso, a reprodução vegetativa de espécies sensíveis a essas doenças torna-se mais eficiente.

 

Reprodução Sexuada

 

Na reprodução sexuada, são formadas células especiais denominadas gametas, sendo que um gameta feminino une-se a um gameta masculino através da fecundação, dando origem a um zigoto.

Os gametas são formados em estruturas especializadas denominadas gametângios. Quando ao tipo de gametas formados, pode-se falar em isogamia, heterogamia e oogamia.

Na isogamia, os gametas são idênticos entre si, tanto quanto à forma e tamanho como quanto ao comportamento, sendo ambos móveis. Na heterogamia, os gametas masculinos e femininos são móveis, porém, um deles, geralmente o feminino, é muito maior que o outro. Na oogamia, um dos gametas é grande e imóvel e o outro é pequeno e móvel.

A isogamia e a heterogamia são freqüentes em algas. A oogamia é freqüente em briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas, e também nos animais.

 

Importância do Pólen

 

A reprodução sexuada nos vegetais com sementes (gimnospermas e angiospermas) ocorre principalmente com a participação imprescindível do pólen, vejamos a seguir o que é pólen.

Pólen é uma massa constituída de minúsculos grãos, em geral amarelados e com aparência de poeira, produzidos em grande quantidade no aparelho reprodutor masculino das flores das plantas superiores. A produção de pólen ocorre na antera, parte terminal e mais grossa dos estames que compõem a estrutura masculina das flores. As anteras apresentam várias cavidades ou lojas, em cada uma das quais as células matrizes do pólen passam por uma divisão que reduz à metade o número de cromossomos das unidades resultantes. Essas unidades, constituintes dos grãos de pólen, são a princípio unicelulares e mais tarde se dividem em duas células: a vegetativa, maior, e a germinativa, menor.

Cada grão de pólen é um corpo minúsculo. Seu diâmetro varia de 2 a 250 micra (um mícron equivale à milésima parte do milímetro) e está envolvido por duas membranas: uma interna, a intina, muito fina; e outra externa, a exina, rugosa e com abundantes pontas e poros. A fecundação ocorre quando o pólen entra em contato com o órgão feminino da flor: o grão germina e a célula vegetativa forma uma estrutura alongada, o tubo polínico, que sai por um dos poros da exina e alcança os óvulos. Por esse tubo descem duas células reprodutoras, resultantes da divisão da célula germinativa, que se unem às células femininas do óvulo. O produto dessa união dará origem ao embrião de uma nova planta.

A estrutura e o desenho dos grãos de pólen são muito variáveis e podem caracterizar um gênero de plantas ou até mesmo uma espécie. Constituem, por isso, um bom critério para a classificação botânica. Foi possível reconstituir a flora que teria existido há milhões de anos graças ao pólen contido em estratos de antigas eras geológicas e conservado em seus detalhes morfológicos. O estudo do pólen é objeto de uma disciplina científica, a palinologia, útil, em especial, à geologia e à paleogeografia.

A polinização é a transferência do pólen da antera para o estigma da flor das Angiospermas ou, como já vimos, para o rudimento seminal também chamado óvulo das Gimnospermas.

 

Tipos de polinização

 

A - Autopolinização autogamia ou polinização direta - é a transferência do pólen da antera para o estigma da mesma flor (caso que só ocorre quando a planta é hermafrodita). É pouco freqüente, ocorre na ervilha, no fumo, no algodão e em muitos cereais, exceção do milho e centeio.

Nas flores cleitogâmicas, isto é, cuja corola não chega a se abrir, só haverá autogamia, como na violeta e parcialmente na Genista sp. , Stellaria, Specularia perfoliata e Juncus bufonlus.

Dispositivos existem que dificultam a autogamia em muitas flores hermafroditas, tais como a heterostilia ou seja a diferença de comprimento entre os estiletes e o estames, havendo casos em que o estilete é maior que os estames e outros em que o estilete é menor. A heterostili. Tanto a macro como a microstilia, encontra-se em 50% dos indivíduos da mesma espécie de Primula sinensis (primavera).

Por outro lado, condições fisiológicas, também impedem a autogamia, como a diferença no desenvolvimento fisiológico dos estames e do gineceu, fenômeno esse chamado dicogamia. Há dois casos a considerar na dicogamia:

 

·        - Protandria ou Proterandria - quando as anteras atingem a maturidade antes que o estigma. Como em muitas compostas, Campanuláceas, Umbelífera, Geraniáceas e na Salva sp.

 

·        - Protoginia ou Proteroginia - quando o estigma amadurece primeiro que as anteras, tornando-se receptivo ao pólen, como na tanchagem (Plantago media) , no Arum e no papo-de-perú ou aristolóquia.

 

I - autopolinização, em muitas espécies, pode levar a uma redução no vigor e na produtividade da espécie.

II - Geitonogamia - é a transferência do pólen da antera para o estigma de outra flor situada na mesma planta, como no Eupatorium cannabium.

III - Polinização Cruzada, alogamia, polinização indireta ou xenogamia - é a transferência do pólen da antera para o estigma de uma flor situada em outra planta da mesma espécie. É o tipo que ocorre há maioria das plantas.

Agentes polinizadores

 

Autopolinização, autogamia ou polinização direta:

 

A gravidade e o vento são os dois principais fatores que promovem a polinização direta, a qual se verifica nas flores hermafroditas, que possuem as anteras acima do estigma. O vento, por sua vez, agitando anteras e estigmas, ambos do mesmo tamanho, provoca a polinização. Para a consecução dessa polinização, é necessário que estames e pistilos estejam maduros ao mesmo tempo e quer o pólen seja capaz de fecundar os óvulos de sua própria flor.

A autopolinização é facilitada pelo deslocamento das anteras, que chegam a tocar o estigma, quando um inseto roça a base do seu filamento. Na arruda (Ruta graveolens), os estames, na época da maturidade, se aproximam do centro da flor, e os filetes se encurvam e as anteras, abrindo-se deixam cair o pólen sobre o estigma. Em Nigella são os estigma que se inclinam até as anteras. Todavia, qualquer que seja o agente, o pólen será sempre da mesma flor.

 

Geitonogamia

 

Consta esta modalidade de polinização da transferência do pólen da antera de uma flor para o estigma de outra flor situada na mesma planta, geralmente com flores masculinas e femininas (plantas monóicas).

Afora os fatores ou agentes citados, outros há que podem favorecer a autopolinização e a geitonogamia, como por exemplo os insetos, o homem e os pássaros.

 

Alogamia

 

Indireta

 

Polinização pelo vento ou polinização anemófila:

Realiza-se pela ação do vento e ocorre em cerca de 1/10 das Angiospermas e Gimnospermas. As plantas anemófilas produzem grande quantidade de pólen, como no milho, que chega a produzir aproximadamente 50 milhões de grãos de pólen (única planta). Grande parte desse pólen se perde. Geralmente, os grãos de pólen são pequenos e lisos.

O vento é capaz de levar o pólen a grande distância. Cita-se o caso de na Itália de uma tamareira feminina ter sido polinizada com o pólen proveniente da planta masculina situada a 75 km de distância.

Em regiões onde predominem plantas anemófilas, como Gramíneas, Pinus, Araucaria e outras, a porcentagem de pólen na atmosfera eleva-se de tal maneira que chega a produzir a chamada "chuva de enxofre". Certos tipos de grãos de pólen causam alergias.

 

Polinização entomófila:

 

Faz-se com o concurso dos insetos e ocorre na maioria das Angiospermas. Os insetos são atraídos pelos nectários que produzem o néctar, pelos aromas os mais diversos, pela coloração viva das flores. Durante a visita as flores, os insetos ao roçarem involuntariamente os estames, se cobrem de pólen e buscando outras flores, tocam o estigma, deixando aí o pólen. Os grãos de pólen entomófilos são grandes, providos de asperesas e poucos abundantes quando comparados aos pólen anemófilos. A estrutura floral de algumas plantas parece ter sido desenhada para o melhor aproveitamento da visita dos insetos.

Dentre os insetos polinizadores, destaca-se pela sua freqüência, a abelha, que poliniza especialmente as plantas frutíferas, como a laranjeira, o melão, abacateiro e outras plantas de valor econômico, como a (Medicago sativa) alfafa, cafeeiro, (Crotalaria sp.) crotalária, e orquídeas. Para as abelhas, os nectários tem cor da luz ultravioleta, que atrai especialmente. Por outro lado, as moscas, as mariposas e outros insetos visitam assiduamente as flores de (Glycine hispida) soja, e da sempre viva. Conhecida é a polinização dos figos por vespinhas do gênero Blastophaga, que se desenvolve no interior da inflorescência do tipo sícono.

 

Polinização ornitófila:

 

Os pássaros concorrem para a polinização de muitas plantas, como no caso da (Strelitzia regiae) bananeira-da-rainha polinizada pela ave Nectarinea Alfra, do digital (Sanchezia nobilis), pela ave nectarífaga Arachnethera longirostris. Nas regiões tropicais, o beija-flor ou colibri é um dos mais conhecidos agentes polinizadores.

 

Polinização malacófila:

 

Menos frequente é a polinização pelos caracóis, caso que se verifica na planta Aspidistra lurida e na Calda palustris.

Polinização quiropterófila:

 

A polinização por morcegos ou quirópteros ocorre em plantas situadas em regiões intertropicais, como em algumas espécies de Bombacáceas, Bignoniáceas, cujas flores, isoladas, grandes e resistentes, se abrem ao anoitecer, emitem comumente um aroma de frutos em fermentação e produzem grandes quantidades de néctar e polem, de que se nutrem os morcegos.

 

Polinização hidrófila:

 

Clássico é o exemplo da conhecida Vallisneria spiralis, da Europa, planta dióica, que habita as águas doces. As flores femininas são sustentadas por pedúnculos que se alongam e se expandem na superfície da água. As masculinas, de pedúnculos curtos, desprende-se das partes inferiores, submersas das plantas, vem a tona, abrem-se e flutuando colocam-se em contato com os estigmas. O mesmo mecanismo encontramos na Elodea canadensis.

Em Zostera e Ceratophyllum, plantas submersas, as flores se abrem debaixo d'água, onde se soltam o pólen, que alcança o estigma. Em Zostera os grãos de pólen são longos, filiformes, desprovidos de exima.

 

Polinização artificial:

 

Em certas plantas, a polinização natural é deficiente e a produção de frutos bastantes reduzidas, como na (Vanilla planifolia) baunilha e na tamareira, planta dióica, isto é com os pés femininas e masculinos. Nesses casos, a polinização artificial, feita pelo homem, consegue grande aumento de produção.

O homem vem empregando a polinização artificial seja para o melhoramento de espécies, seja para a obtenção de novas variedades, de novo híbridos, etc., tendo em vista o aumento da produção agrícola.

 

Algas

 

O reino Plantae se divide em cinco importantes partes, e uma delas são as algas pluricelulares, mas também encontramos algas unicelulares como veremos a seguir. As algas constituem uma importante fonte de alimento no Extremo Oriente, sobretudo no Japão, onde fazem parte da dieta básica, sendo também muito consumidas na China.

As algas são vegetais inferiores, quase sempre aquáticos e sobretudo marinhos. Aparecem em grandes quantidades nas praias, em determinadas épocas do ano, recobrindo o fundo do mar nas regiões litorâneas.

Características - As algas constituem a base evolutiva do reino vegetal. Como todos os vegetais, possuem clorofila, pigmento de coloração esverdeada com o qual realizam a fotossíntese. Por meio desse processo, as algas produzem matéria orgânica a partir de sais inorgânicos, água e dióxido de carbono, utilizando como fonte de energia a luz solar. Também fazem parte da composição desses seres vivos outros pigmentos, que imprimem a muitas algas coloração vermelha, parda, amarelada ou azulada, alojando-se em organelas celulares denominadas plastídios ou plastos.

As células de algumas algas apresentam elevadas concentrações de sais minerais, armazenados nos vacúolos, órgãos especiais que podem conter também as substâncias de reserva da planta, na forma de açúcares e graxas.

Existem algas unicelulares e pluricelulares. As primeiras podem viver em estado livre, isto é, sem associar-se com outras, ou formar agregados ou colônias de indivíduos, o que constitui uma forma rudimentar de organização supracelular. Um exemplo desse modelo de organização é encontrado nas algas do gênero Volvox, pequenos aglomerados esféricos de células que flutuam na superfície dos lagos. As algas unicelulares se movimentam por meio de flagelos, filamentos que se agitam na água. Algumas espécies apresentam um revestimento silicoso, como ocorre nas diatomáceas, ou calcário. Quando a alga morre, essa capa mineral se deposita no fundo do mar, originando uma espessa camada de sedimentos. Nas diatomáceas, essa capa apresenta um aspecto cristalino, às vezes de grande beleza.

As algas pluricelulares apresentam uma estrutura muito simples, já que não constituem verdadeiramente um tecido, e sim um aglomerado de células não diferenciadas entre si, ao qual se dá o nome de talo. Esse último pode ser filamentoso, apresentar-se sob a forma de lâminas ou possuir ramificações. Em algumas espécies, o talo forma estruturas de aparência similar aos caules ou raízes das plantas superiores, com discos de fixação com os quais as algas se prendem às rochas e resistem ao movimento das ondas. Algumas espécies, como os sargaços, possuem órgãos flutuadores, constituídos por vesículas cheias de gás.

Esses organismos são encontrados nos mais variados habitats: alguns, na água doce; outros, seres marinhos unicelulares, formam o plâncton vegetal, que serve de alimento a inúmeros animais oceânicos; outros, ainda, têm como habitat o litoral ou as áreas pelágicas. As algas verdes ou clorofíceas são encontradas com mais freqüência em regiões superficiais, de maior iluminação, enquanto as espécies pardas ou vermelhas crescem em níveis inferiores. Algumas algas azuis e verdes formam associações com fungos, dando origem a liquens.

A reprodução das algas pode ser assexuada, por meio da divisão longitudinal ou transversal de um indivíduo, ou por meio de esporos, como ocorre com os organismos unicelulares; ou sexuada, na qual duas células, ou gametas, procedentes de indivíduos distintos, se unem para formar um novo organismo.

As algas se dividem segundo o tipo de pigmento que apresentam e as substâncias que acumulam. As euglenófitas ou algas flageladas verdes são também unicelulares e, como o nome indica, movimentam-se por meio de flagelos. Na maior parte organismos de água doce, têm como representante mais conhecida a euglena (Euglena viridis), que possui a capacidade de detectar a presença de radiações luminosas, graças a uma mancha ocular com um pigmento fotossensível.

As algas silicosas ou crisófitas são unicelulares e de vida livre ou colonial. Sua parede celular é impregnada de sílica, constituindo uma camada em forma de concha bivalve. Vivem tanto na água doce como na salgada, e são conhecidas pelo nome de diatomáceas.

As clorófitas ou algas verdes podem formar colônias filamentosas, às vezes ramificadas, e também agregados esféricos, semelhantes aos do gênero Volvox. Existem, ainda, espécies unicelulares flageladas, destacando-se, graças a sua ampla distribuição, a espécie Ulva lactrica, ou alface-do-mar, alga em forma de lâmina. São também muito comuns as diferentes formas unicelulares do gênero Chlorella.

As algas pardas, ou feófitas, são marinhas, freqüentemente encontradas nas praias, aonde chegam arrastadas pelas marés. Além da clorofila, possuem um pigmento pardo, a fucoxantina, e são recobertas por uma substância mucilaginosa, que lhes imprime um aspecto gelatinoso. Costumam apresentar um extenso prolongamento, de aparência semelhante a um caule, do qual partem numerosas ramificações. Certas espécies podem alcançar até setenta metros de comprimento, como é o caso do gênero Macrocystis. Algumas são flutuantes, formando enormes aglomerados, destacando-se os sargaços, que emprestaram seu nome ao mar situado a nordeste das Antilhas.

As rodófitas, ou algas vermelhas, devem sua coloração característica à presença da ficoeritrina, um pigmento de coloração avermelhada. Muitas de suas espécies apresentam um talo finamente dividido, o que lhes confere aspecto semelhante aos ramos e folhagens das plantas superiores. Em sua maioria, são organismos marinhos e possuem falsas raízes ou rizóides, e discos com os quais se fixam nas rochas ou a outras algas.

Há ainda as xantófitas, algas verde-amareladas; as diatomáceas, algas protegidas por uma parede composta de duas valvas de sílica; as crisófitas, algas douradas; e as pirrófitas, unicelulares. Os organismos antes conhecidos como algas verde-azuladas são agora descritos como bactérias e chamados cianobactérias.

Aproveitamento das algas. No equilíbrio entre animais e plantas, as algas desempenham papel de grande importância, pois além de constituírem a base da cadeia alimentar marinha, fabricam cerca de um terço da matéria orgânica produzida em nosso planeta. Além de empregadas como fonte de alimento em alguns países do Oriente, as algas foram, durante muito tempo, utilizadas na Europa para o adubo do solo. Ricas em sais de potássio e cálcio, podem ser usadas como adubo orgânico, em estado natural, ou como adubo mineral, na forma de cinzas. Certas algas vermelhas, por sua vez, são usadas como matéria-prima para a produção do ágar-ágar, substância gelatinosa utilizada como meio de cultivo em pesquisas bacteriológicas e como suporte para a fixação de princípios nutritivos na indústria alimentícia.

 

Angiospermas

 

As plantas superiores se dividem em angiospermas e gimnospermas. A maior parte das espécies de plantas superiores enquadra-se na divisão das angiospermas, que engloba uma imensa diversidade de formas vegetais, desde árvores de grande porte, como os baobás e eucaliptos, até as ervas mais comuns nos campos e no solo das matas. Algumas espécies, como as orquídeas, ostentam flores soberbas, enquanto outras, como os cereais, as hortaliças, os tubérculos e as árvores frutíferas, são básicas para a alimentação humana.

As angiospermas constituem uma das duas grandes divisões em que se repartem as plantas superiores (com flores e sementes) e se denominam fanerógamas; a outra divisão é a das gimnospermas, cujas sementes estão contidas numa escama e não em ovário. Essas árvores, como os abetos e ciprestes, são pouco comuns no Brasil.

A principal característica das angiospermas é a presença de uma série de peças, não raro muito vistosas, que compõem a corola e o cálice (o chamado perianto) e circundam os órgãos reprodutores propriamente ditos. Além disso, os óvulos ou células femininas não se encontram a descoberto, tal como ocorre nas coníferas e demais gimnospermas, mas acham-se protegidos pelos chamados carpelos, folhas modificadas que se fecham sobre si mesmas para guardar as células incumbidas da reprodução. As angiospermas compreendem grande diversidade de árvores, arbustos e espécies herbáceas, rasteiras e aquáticas. Distribuem-se por todo o mundo e ocupam os habitats mais distintos, do Ártico aos trópicos, passando por matas, desertos, estepes, montanhas, ilhas, águas continentais e oceânicas. Sua importância econômica é fundamental, já que as angiospermas incluem a maioria das espécies arbóreas utilizadas pelo homem, todas as plantas hortícolas, as ervas produtoras de essências, especiarias e extratos medicinais, as flores, os cereais e uma grande quantidade de espécies das quais são obtidos numerosos produtos de interesse industrial.

A forma e a vistosa aparência das flores variam enormemente de uma espécie a outra. As plantas anemófilas, cuja polinização se efetua pela ação do vento, apresentam flores simples, sem perianto (corola e cálice) vistoso, e sementes providas de asas. As plantas que praticam a polinização entomófila, intermediada por insetos, têm flores vistosas, muitas de grande beleza, como as orquídeas, rosas e dálias, acompanhadas às vezes dos chamados nectários, órgãos produtores de essências que as dotam de delicados aromas.

As angiospermas subdividem-se em dois grupos: dicotiledôneas e monocotiledôneas. As primeiras se caracterizam por apresentarem um embrião com dois cotilédones ou folículos. Nas dicotiledôneas desenvolvidas, o caule experimenta crescimento em grossura, existe uma raiz principal (raiz axial ou pivotante), da qual partem ramificações secundárias, e a nervação das folhas apresenta-se também ramificada, a partir de uma via central. Por sua vez, as monocotiledôneas, como seu nome indica, têm um único cotilédone no embrião. Nos espécimes desenvolvidos não existe crescimento em grossura (crescimento experimentado contudo, mas de modo diferente do que ocorre nas dicotiledôneas, por algumas espécies que têm porte arbóreo), as raízes se apresentam em feixes da mesma extensão e grossura (raiz fasciculada) e as folhas estão sulcadas por nervuras paralelas (folhas paralelinérvias).

A origem das angiospermas parece residir em algumas ordens de gimnospermas arcaicas, como as das cicadales e cordaitales. Seus representantes mais antigos procedem do período jurássico, na era mesozóica.

 

Dicotiledôneas

 

As dicotiledôneas formam o grupo mais numeroso das angiospermas, no qual se destacam, pelo interesse das plantas que as integram, as seguintes ordens: fagales, salicales, urticales, magnoliales, ranunculales, papaverales, cariofilales, capparales, cactales, cucurbitales, rosales, fabales, mirtales, cornales, ramnales, scrofulariales, lamiales e asterales.

A ordem das fagales inclui espécies arbóreas de notável desenvolvimento, em especial nas regiões temperadas. Algumas, como a faia e o castanheiro, são típicas de zonas climáticas frias e úmidas; outras, em contrapartida, vegetam em zonas bem mais secas, como acontece com o carvalho e o sobreiro.

Na ordem das salicales encontram-se árvores caracterizadas por uma ampla área de dispersão e nítida preferência por terrenos úmidos, como o chorão e o choupo.

A ordem das urticales é composta tanto por árvores, como a amoreira, a figueira e o olmo, quanto por espécies de crescimento herbáceo, entre as quais a urtiga e o lúpulo.

A ordem das magnoliales reúne espécies arbóreas ou arbustivas que constituem a base morfológica a partir da qual se desenvolveram as demais angiospermas. Acham-se entre elas a magnólia, a canela e o boldo.
Na ordem das ranunculales destacam-se algumas espécies herbáceas conhecidas pelos princípios tóxicos que contêm, como o ranúnculo, o acônito e o heléboro, e espécies floríferas de pequeno porte como a anêmona e o delfínio ou esporinhas.

São também herbáceas muitas das integrantes da ordem das papaverales, como as papoulas silvestres, fornecedoras de matéria-prima para a extração do ópio e seus derivados. Na mesma ordem há árvores como o pau-d'alho, arbustos que fornecem condimentos, como a alcaparra, e espécies ornamentais odoríferas, como o resedá.

Na ordem das cariofilales agrupam-se muitas espécies herbáceas que também têm interesse do ponto de vista ornamental, como o cravo, ou alimentício, como a acelga, o espinafre e a beterraba.

Importantes para a alimentação humana são ainda certas espécies da ordem das capparales, como a couve, o rabanete, o nabo e a mostarda.

As cactales congregam a importante família dos cactos, plantas adaptadas aos climas desérticos e que acumulam água em seus tecidos. Já na ordem das cucurbitales estão contidas importantes espécies hortícolas, como a abóbora, o melão, a melancia e o pepino.

Da ordem das rosales fazem parte as roseiras, o morangueiro e as árvores frutíferas de ocorrência mais comum nas regiões temperadas, como a macieira, a pereira, a cerejeira, o marmeleiro, o pessegueiro e o damasqueiro. A ordem das fabales, identificada antes com a das rosales, pelas afinidades que as ligam, é composta por espécies como o trevo e a alfafa, além de outras destinadas à alimentação humana, como o feijão, a ervilha, a fava, o grão-de-bico e o alcaçuz.

Entre as mirtales incluem-se os eucaliptos, grandes árvores nativas da Austrália que se dispersaram por todo o mundo graças à rapidez com que crescem, facilitando assim a extração de madeira. Na ordem das ramnales, cabe mencionar, por sua importância para o homem, a videira, planta de que foram obtidas inúmeras variedades e de cujos frutos fermentados se obtém o vinho.

A ordem das scrofulariales compreende a família das solanáceas, na qual há várias espécies alimentícias, como a batata, o tomate, a beringela, e outras de grande importância econômica, como o fumo, ou medicinal, como a beladona e o meimendro.

Entre as lamiales há plantas herbáceas de ampla área de dispersão, como a digital ou dedaleira, da qual se extrai um princípio ativo muito tóxico, usado no tratamento de doenças cardíacas. Na mesma ordem estão ainda agrupadas plantas aromáticas como a menta, a sálvia, o tomilho e o orégano.

A ordem das asterales conta por sua vez com a grande família das compostas, integrada por espécies como o cardo, a artemísia, a margarida, o crisântemo, a calêndula e o girassol.

Monocotiledôneas.

No grupo das monocotiledôneas, é menor o número de ordens, convindo mencionar entre elas, pelo interesse das espécies que englobam, as seguintes: liliales, iridales, orquidales, bromeliales, poales e arecales.

A primeira delas inclui plantas aquáticas, como os juncos, e plantas bulbosas, quer comestíveis como o alho e a cebola, quer ornamentais pela beleza das flores, como a açucena, o narciso e a tulipa. Na ordem das iridales há igualmente diversas plantas ornamentais, como o gladíolo e a íris.

Entre as orquidales ressalta a família das orquídeas, nativas em sua maioria dos trópicos e apreciadas pela beleza invulgar de suas flores. Algumas espécies, como a baunilha americana, assumiram grande importância econômica.

Também a ordem das poales inclui espécies de importância fundamental para o homem: as da família das gramíneas, entre as quais se destacam os cereais mais comuns na alimentação.

 

 

Bibliografia:

Bio  Sônia Lopes

Atlas Botânico  - Lial

Sites: botânico, biológicos no geral

Arquivo Pessoal: Paulo Sérgio Carulli

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